Mostrando postagens com marcador Jornalismo de Serviço. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo de Serviço. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Daens, um grito de Justiça (Daens)

Dirigido por Stijin Coninx, "Daens - um grito de Justiça", indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 1993, conta a história real do Padre Daens (Jan Decleir), um homem que luta por justiça social na Bélgica do final do século XIX.

Enviado para a cidade de Aalst, no interior do país, Daens vai viver com seu irmão, um jornalista. Na cidade, depara-se com uma situação de miséria e exploração da classe operária: mulheres e crianças trabalhando em turnos de longa duração, recebendo salários irrisórios, em péssimas condições de trabalho (logo no início do filme há uma impactante cena que mostra a morte de uma criança dentro de uma fábrica).

Indignado, o Padre utiliza-se do jornal do Partido Católico para relatar essas agruras e divulgar ideias a fim de incitar as massas trabalhadoras a batalhar por condições dignas de trabalho e existência, além de propor o sufrágio universal, implementando um Estado democrático e justo.

Na defesa dessas ideias, Daens incomoda os industriários da época e a própria Igreja, aliada a eles. Passa, então, a ser perseguido.

Situado numa época de ampla divulgação de ideias dentro do jornalismo e de fortes mudanças na estrutura política, o filme retrata o surgimento dos jornais políticos, a utilização da imprensa como agente de mudanças sociais, a rivalidade entre ideologias políticas e o surgimento da Social Democracia, que prega a igualdade de oportunidades, ao invés da igualdade de fato pregada pelo Socialismo.

Além de uma narrativa envolvente aliada a uma fotografia seca e planos corretos, o filme conta com diálogos que sintetizam as questões da época e atuação sensível e consistente de Jan Decleir como o agoniado e determinado padre Daens.



Na foto acima, o verdadeiro padre Daens. Foto retirada do site: http://www.aalst.be/



Danilo Thomaz

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Do século XIX para as páginas da Internet



O jornal impresso foi usado de diversas formas. Serviu como instrumento político-social para a padronização das massas, promoção da opinião pública, explanação e disseminação de ideologias e por movimentos dissidentes, oposicionistas e de contracultura e para informar a população sobre os acontecimentos mais relevantes.
Com o avanço das tecnologias, tornou-se possível digitalizar integralmente o conteúdo desses jornais que fizeram e fazem parte da história da Humanidade. A grande vantagem é poder dinamizar o acesso a esses conteúdos, que antes só podiam ser encontrados em algumas raras bibliotecas e museus.

O programa The National Digital Newspaper, da ONG americana NET (National Endowment for the Humanities) é o que mais se destaca nesta área. Em parceria com a Biblioteca do Congresso – onde os jornais originais ficam armazenados –, o projeto tem o intuito de digitalizar e disponibilizar na Internet o maior número possível de antigos exemplares dos principais jornais dos EUA. Até agora já foram liberados todos os conteúdos disponíveis na Biblioteca entre os anos de 1836 a 1922.

Os arquivos podem ser acessados nesse link:
http://www.loc.gov/chroniclingamerica/availableNewspapers.html

Aqui no Brasil, um projeto similar é feito pela Biblioteca Nacional, onde grande parte do acervo de 15 antigos – e significativos - jornais já foi digitalizado. Dentre eles estão o Diário do Rio de Janeiro com publicações de 1808 a 1822, o Diário de Porto Alegre (1827 -1828), O Farol Paulistano e Compilador Mineiro.

O conteúdo desses e dos outros onze jornais podem ser acessados aqui: http://www.bn.br/site/pages/catalogos/periodicos/periodicosdigitalizados.htm

Com a disponibilização desses conteúdos na rede, jornalistas, comunicadores sociais e interessados sobre o assunto poderão ver e analisar a evolução do jornalismo impresso e todos os elementos que o compõe - o tipo de linguagem, o formato, a linha editorial e a diagramação. Ao tornar estas publicações disponíveis a qualquer cidadão com acesso a internet, as Instituições estão preservando um registro da História que não consta nos livros escolares, um registro estritamente ligados aos fatos e à vida cotidiana de cada época.


Foto retirada do site: http://www.iped.com.br/sie/uploads/6441.jpg



Lilian Sanches

terça-feira, 31 de março de 2009

Nelson Rodrigues e a vida como ela AINDA é



Tem gente que nasce para o ofício! Quando o pernambucano Nelson Rodrigues (1912 – 1980) começou o trabalho como jornalista, ainda não existia curso profissionalizante pra tal área. Jornalismo era algo muito mais pessoal; ou a pessoa sabia fazê-lo ou permaneceria sem saber.Como jornalista, ele sabia intervir na sociedade, influenciá-la intelectualmente e expor conflitos, não só aqueles de cunho político, social e econômico, mas conflitos pessoais e internos, alguns abjetos, que muitas vezes não reconhecemos por falta de autoconhecimento ou por excesso de pudor.

Samuel Wainer, dono do antigo jornal “Última Hora”, convidou Nelson Rodrigues para ser seu colunista, em 1950. O que deveria ser uma coluna policial, fiel à realidade, acabou se tornando algo muito próximo de um folhetim sob o nome de “A vida como ela é...”, mas nem por isso seus textos se afastaram da realidade. Não eram como os folhetins de Machado de Assis. Neste espaço, eram abordados temas como sexo, inveja, adultério, obsessão e ciúme – desmascarando e subvertendo a conservadora sociedade suburbana e burguesa da época.

A realidade vai além do óbvio. As manchetes dos jornais, algumas vezes, não correspondem à realidade diária de muitas pessoas e, em outras vezes, evitam assuntos de interesse comum. Os contos do jornalista, publicados no jornal “Última Hora”, estão mais para relatos imaginários do cotidiano do que para ficção propriamente dita, fruto do olhar jornalístico de Nelson Rodrigues aliado ao seu olhar ficcionista, proveniente dos trabalhos que desenvolveu como dramaturgo, na captura das entrelinhas do cotidiano.

Por mais moderno que o mundo se apresente, ainda existem tabus, aparências e confrontos morais que apesar de gerarem –muitas vezes com resistência- impactos diferentes na sociedade de hoje, partem dos mesmos dilemas individuais e morais, quando comparados a década de 50. E é por isso que a “ficção” dessas narrativas é uma leitura prazerosa e reflexiva e ainda faz tanto sucesso.

As histórias já tiveram o formato de um programa de rádio e, hoje, são encontradas em livros: “Cem contos escolhidos – A vida como ela é” (em dois volumes pela editora J. Ozon), “Elas Gostam de Apanhar” e “ A vida como ela é...”, ambas pela Editora Agir.

Para complementar a leitura (ou se faltar coragem para ela), um dos contos, “A Dama da Lotação” foi adaptado pelo cinema em 1978, que conta no elenco com Sônia Braga, Nuno Leal Maia, Jorge Dória , Paulo César Pereio e tem direção de Neville de Almeida. A TV Globo adaptou contos da mesma coletanea, disponível em DVD duplo.


Yasmin Gomes