segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um pouco da história dos pasquins.

Pasquim: Jornal ou panfleto difamador. (dicionário Michaelis)



Muitas características marcaram os jornais durante a história da imprensa brasileira.
Havia jornais que eram tradicionais, com linguagem culta e sem extravagância, mas havia também pequenos jornais de nomes estranhos, de caráter humorístico, que levantavam grandes discussões principalmente em épocas de censura.

Por volta de outubro de 1822, a liberdade de imprensa volta a ser restringida. E a partir desta censura surgem os pasquins, que eram pequenos jornais-panfletos de vida efêmera que defendiam ideais de liberdade e luta, nos quais o Brasil viveu desde os tempos de Regência até a República. Possuíam linguagem violenta, que criticavam e denunciavam os males do governo da época, recorriam também à calúnia e ao insulto pessoal, tudo isto de forma cômica e descontraída para atrair e desenvolver o espírito crítico nos brasileiros.

A Regência foi marcada pelo período das Sociedades Políticas, e estas difundiam suas idéias por meio de jornais e pasquins. Por exemplo, a Sociedade Defensora da Liberdade e da Imprensa, que era integrada por membros do grupo Moderado, contava com os pasquins Aurora Fluminense, Astréia e O Sete de Abril; A Sociedade Federal que era composta pelos Exaltados, disseminavam suas idéias nos pasquins A Malagueta, Republico, O Grito dos Oprimidos e o Burro Aflito; E por fim a Sociedade Conservadora da Constituição Brasileira, que mais tarde de chamou Sociedade Militar, constituída pelos Restauradores, chefiados por José Bonifácio de Andrada e Silva (na foto acima), que dispunham dos pasquins O Brasil Aflito, O Soldado Aflito, O Tamoio Constitucional e O Caramuru.

Após o período regencial, os pasquins passariam a ter uma paixão doutrinária, passando a defender princípios abolicionistas e Republicanos.


O jornal O Pasquim.





Por volta de 1969, época do regime militar, com a mesma idéia satírica e politizada com críticas ao governo, surge O Pasquim, criado pelo cartunista Jaguar e pelos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral, sendo o jornal mais influente de oposição à ditadura no Brasil, atingindo uma tiragem de 200 mil exemplares em meados dos anos 1970. O símbolo principal do jornal era o ratinho Sig (de Sigmund Freud), desenhado por Jaguar, que dizia : “...se Deus havia criado o sexo, Freud criou a sacanagem”.

Grandes figuras de destaque na imprensa participaram do jornal, como Ziraldo, Millôr Fernandes, Henfil, Prósperi, Claudius, Fortuna, Miguel Paiva, Hubert, Reinaldo e muitos outros.

Algumas charges da época:

Henfil









































Por falar sobre política e cultura de forma humorística, O Pasquim passou a atrair grande público, mas por ser um jornal de esquerda, desagradou o governo. Em 1970, a redação inteira foi presa por causa da publicação de uma sátira do quadro de Dom Pedro I as margens do Ipiranga. Com isso, os militares acharam que o jornal sairia de circulação, porém Millôr Fernandes, que escapara da prisão, conseguiu manter O Pasquim com o apoio de intelectuais cariocas. Mas com tantas ameaças mais as baixas publicações, o jornal estava próximo do fim, mas ainda sobreviveria a redemocratização de 1985.

Com o surgimento de jornais oposicionistas e novos conceitos de humor, O Pasquim chegou ao fim, tendo sua última edição em 1991, apesar dos esforços de Jaguar em manter o jornal ativo.

Isso não significou que O Pasquim tenha caído no esquecimento, o jornal ganhou um documentário produzido com recursos do governo chamado O Pasquim – A Subversão do Humor, que foi lançado em junho de 2004 e exibido pela TV Câmara. Em 2006 a Editora Desiderata lançou o livro O Pasquim – Antologia. 1969-1971, tendo um segundo volume em 2007, que cobre o período entre 1972 e 1973.


O documentário sobre o jornal O Pasquim, exibido pela TV Câmara. Para assistí-lo, clique no link abaixo:

http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=17536




Ingrid Navarro

Fontes das fotos:

http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/jose-bonifacio/imagens/jose-bonifacio-8.jpg
http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/pasquim.jpg
http://www.universohq.com/cinema/images/henfil_profissao_cartunista2.jpg
http://1.bp.blogspot.com/_boF50CMWwVE/R3-t0my9GyI/AAAAAAAAGLA/ipLKcM3juMI/s400/000g3003.jpg
http://www.jblog.com.br/media/101/20080917-theotonio.jpg

Um comentário:

  1. Muito show! O Pasquim calou a boca de muita gente.

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